Espanha e Holanda decidem a final da Copa do Mundo neste domingo (11). Mas, independente do resultado, já é possível concluir que nesse Mundial de 2010 houve uma série de inversões de valores. O mais nítido de todos é a troca do futebol bonito, futebol “arte”, pelo futebol burocrático, marcado por muito toque de bola e lances chaves que acabam sendo cruciais para a formação do placar. Tanto a “Fúria” quanto a “Laranja Mecânica” jogaram deste modo durante toda a competição, e assim certamente jogarão a final.
Mas outro aspecto que ficou nítido foi o brilho apagado de muitos astros que chegaram como grandes promessas de show. Começando pelo atual melhor do mundo, o argentino Messi. Até seu país ser eliminado nas quartas de finais para a Alemanha em uma “chocolatada” de 4 a 0, o meia-atacante fez até uma boa Copa. Correu bastante, deu passes importantes para gols, mas o Messi apenas eficiente pareceu pequeno na frente daquele descomunal que se vê no Barcelona. Sem falar que voltou para casa sem balançar as redes.
O meia atacante Cristiano Ronaldo, de Portugal, que outrora também foi eleito o melhor do mundo, foi para a África do Sul basicamente para posar para as câmeras. Para não dizer que não fez nada, ele teve uma atuação regular e marcou um gol em uma goleada de nada menos que 7 a 0 contra a Coreia do Norte. Agora, alguém duvida que o placar seria elástico mesmo sem a presença do “craque-modelo”? Eu não. No geral, a imagem de Cristiano Ronaldo que ficou nesta Copa foi a de ele caído no chão e pedindo falta para o juiz em inúmeras ocasiões.
A Inglaterra apostava suas fichas no atacante Rooney, do Manchester United. Antes do mundial, o jogador estava simplesmente “voando”, desequilibrando qualquer defesa adversária. Mas uma lesão no tornozelo direito atrapalhou seu caminho, precisando de uma recuperação forçada. Ele conseguiu estar em campo todos os jogos, mas o Rooney que se viu, na verdade, mal parecia estar em campo. Teve atuações apagadas, seu país foi eliminado com uma goleada de 4 a 1, e foi outro que voltou para casa sem marcar.
E o que dizer do nosso brasileiro Kaká? Tudo bem, ele merece créditos por ter mostrado persistência e dedicação, quando jogava praticamente no sacrifício. Há tempos o meia (outro com o título de melhor do mundo no currículo) tem sentido incômodos provenientes de uma lesão na delicada região do púbis. Desde que chegou ao Real Madrid, não conseguiu repetir as boas atuações dos tempos de Milan. E o Brasil depositava a maior parte da responsabilidade nele, que estava apenas com 70% da sua condição física ideal. Resultado: a seleção canarinho não conseguiu passar pela Holanda nas quartas de final. Para piorar, o bom moço Kaká ainda voltou com uma fama inédita na sua carreira: a de bad boy, após levar um cartão vermelho, dois amarelos, além de ser flagrado pelas câmeras muitas vezes falando palavrão.
Coadjuvantes tomam a vez
Na verdade, as estrelas que brilharam não têm tanto brilho assim na grande mídia ou nos bastidores. Mostraram brilho com a bola nos pés! Nisso se incluem dois holandeses “renegados” pelo Real Madrid: Sneijder e Robben. Ambos perderam espaço no time espanhol e se transferiram para outras equipes depois que a diretoria resolveu investir na contratação de “galáticos”, como…vejam só, Kaká e Cristiano Ronaldo. Sneijder foi um dos principais responsáveis pela chegada da Holanda à final, tanto pela condução eficaz da bola no meio de campo, como marcando gols em momentos importantes (o Brasil que o diga…). Tem grandes chances de ser eleito o craque da Copa. Já Robben teve problemas de contusão, ficou de fora dos dois primeiros jogos, e, quando entrou, mesmo que o seu futebol apresentado não se equiparasse ao que joga no Bayern de Munique, marcou gols decisivos para a sua equipe e se mostrou uma peça importante na linha de frente do time holandês.
A Espanha chegou à final primando pelo conjunto, cuja base é a mesma que foi campeã da Eurocopa de 2008. Os meios campistas Xavi Hernández e Iniesta mostraram ótimo entrosamento, servindo bem o artilheiro David Villa. Este último pode ser considerado o principal nome da “Fúria” na competição. Apesar dele sempre ter tido boas atuações na seleção, fora dela atuava pelo mediano Valência, até que finalmente se transferiu para o gigante Barcelona, dias antes do início da Mundial. Detalhe que antes da Copa da África, a principal referência de gols da “Fúria” era o atacante Fernando Torres, outro que teve problemas de lesão. Torres não conseguiu render o que pode, não balançou as redes nenhuma vez, e acabou sendo barrado na semifinal para a entrada de Pedro.
A Alemanha pode até não ter chegado às finais, mas encantou os olhos de muitos espectadores com um futebol jovem e habilidoso. Enquanto o experiente Ballack acabou cortado por contusão (a bruxa estava solta mesmo…), nomes como Özil e Müller, de 21 e 20 anos, respectivamente, foram grandes revelações desse Mundial e certamente irão colecionar propostas milionárias. Não poderia deixar de citar Schweinsteiger, que começou a carreira como atacante, disputou a Copa de 2006 como meia armador, e agora fez um Mundial excepcional atuando como segundo volante. O jogador de 25 anos foi, sem dúvidas, um dos principais nomes da Copa da África.
Nomes como o uruguaio Forlán, um dos artilheiros da competição, e o ganês Asamoah Gyan, um dos responsáveis pelo feito de levar Gana para as quartas de final, também não podem ficar de fora da lista de destaques. É, são muitos exemplos. E cada vez mais temos provas de que nomes não jogam bola apenas pela fama ou glamour.
Figuras exóticas
A Copa da África foi definitivamente marcante em vários aspectos, muitas vezes com o futebol em si ficando para trás. Certos personagens que não estavam no campo ganharam espaço na mídia mundial e garantiram momentos de diversão e gozação. Começando por uma certa bola maluca chamada Jabulani, que foi mais comentada do que muito jogador. Criticada por jogadores de linha e odiada pelos goleiros, dizem que a direção que ela segue não é controlada dependendo da velocidade.
Quem diria que o roqueiro Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, fosse ganhar tanto destaque? Pena que não foi pelo seu inquestionável talento, e sim pela fama de “pé frio”. Todo time que ele torcia, era eliminado. Primeiro foram os Estados Unidos, depois a Inglaterra, e depois os brasileiros tiveram a infelicidade de contar com a sua torcida.
A Copa teve direito até a um “polvo vidente”. Parece loucura, mas o polvo alemão chamado Paul acertou todos os seis palpites em que foi consultado, até a final. Seu método é estranho: são colocados dois frascos de comida em sua frente, cada um com o escudo de um país, e ele se dirige ao que vencerá. Coincidência ou não, funcionou, deixando o mundo inteiro abismado.
E que venha a Copa de 2014 no Brasil com mais estrelas, coadjuvantes e bizarrices…




